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Nov 08

O Presidente da República, ao resolver quebrar o seu imenso silêncio com este assunto, descredibiliza parte importante da sua função política e social. A dimensão actual dos factos ocorridos não justifica a quebra dos seus ponderados silêncios. Embora seja aceite que o seu critério pessoal prevaleça. Lamento que o tempo e o modo transforme estes naquilo que não são. Até Mário Soares, perante desmandos semelhantes, ou iguais, e enquanto Presidente da República, apelou à indignação. O que está acontecer é simplesmente assunto de indignação pública e não de violência, pelo menos até ao momento. Daqui para a frente, e caso as manifestações estudantis continuem, e após as férias escolares, que esperar? Que irá o Presidente fazer? Estranho, muito estranho. Tão estranho como de repente ver alunos, nesta faixa etária e neste segmento do ensino, a reivindicar. A rarefacção destes acontecimentos deu azo a acusações de instrumentalização, o que leva a questionar se a politização, neste caso dos estudantes, deva ser considerada como um factor de instrumentalização. Será fácil ponderar sobre este facto. Sendo assim poder-se-á perguntar se é proibido aos estudantes serem politizados? Assim o mesmo direito conferido ao Presidente da República de se expressar sobre factos sociais permite que os estudantes se expressem no conjunto da sociedade e a seu modo. Modo desmesurado, dirão alguns. O que é que desejam? Manifestações estudantis ordeiras e canónicas? Santa Paciência. Recordemos apenas a titulo de exemplo maior, o acto do actual líder do grupo parlamentar do Partido Socialista, face ao então Presidente da República Américo Tomás, precisamente aqui em Coimbra. As consequências do acto foram, a seu modo, punidas. Para alguns daqueles Angola deixou de ser uma miragem adiada enquanto estudantes universitários para passar a ser uma realidade. Não se apele, no entanto, à diferença de conjunturas para justificar, de certo modo, a necessidade de apelar à serenidade no actual momento. Nada descambou em actos de violência. E instrumentalização sempre houve e haverá. Não é impeditiva de que as pessoas participem. Faz parte integrante da aprendizagem, perceber-se, ou não, que se foi instrumentalizado. Relembre-se o senhor Presidente quem teria instrumentalizado, se é que existiu tal, a manifestação na Ponte 25 de Abril, em tempos idos, causada por um aumento "módico" de portagens. Não se pode ficar eternamente à espera que esta geração seja mais uma "geração fotocópia" das anteriores. Embora se saiba que alcançados os objectivos, a dispersão seja o mote. A vida, essa, continua.

publicado por carlosfreitas às 18:04

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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