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Nov 08

Excelente análise. E o "pano para mangas" que acarreta a definição científica, académica, erudita (o que se queira) sobre o Estado Novo, é importante. Embora a discussão seja  enviesada pelos detractores como demasiado "académica". Cercando o adjectivo, quase sempre, entre aspas. Boa parte dos mortais, sabe-se, "borrifa-se" para a questão. Prefiro talvez por isso, e na maior parte das vezes, definir o Estado Novo, como uma ditadura. Embora não seja adepto de simplificações, neste âmbito. Parece-me apenas que a definição não acarreta tanta discórdia formal. Os que discordam desta definição não tem razão nenhuma. Parece ser verdade, consensual. Embora o resultado conseguido por Oliveira Salazar, adulterado, quanto a mim, pela necessidade de dar resposta aos políticos contemporâneos, no famigerado concurso "Os grandes Portugueses". Sabendo até que existe quem discorde desta definição. Acontece igualmente que existem pessoas para quem aqueles que têm dúvidas e discutem se a ditadura ou o regime salazarista foi ou não fascismo, dúvidas essas que apelam a uma maior discussão (talvez académica, mas da qual não vem mal ao mundo) sobre se o regime foi (ou não) na sua essência fascista, são, de facto, perigosos revisionistas. Apelidar esta sistematização como tentativa de branqueamento do regime, quando esta não coincide ou não esteja de acordo com os pressupostos e pontos de vista professados, é, a meu ver, um simplismo que vai surgindo em determinados cérebros, ou cerebrozinhos, porque talvez se pensem detentores únicos da verdade. A única. Na realidade é uma verdadeira "chatice" ser historiador da contemporaneidade. A história constrói-se, imaginemos, através da sobreposição de "tijolos" de diferentes texturas e cuja proveniência é muito diversa. Daí a sua enorme riqueza formal. Ora estes "tijolos" não servem para erguer muros, mas edifícios. Estes comportam diferentes compartimentos ligados através de corredores, escadas e portas cuja função é permitir uma livre circulação de opiniões. A história constrói-se dessa relação e interligação entre diferentes e, por vezes, discordantes, pontos de vista. Não deve é estar sujeita a verdades irredutíveis, baseadas em  hipotéticos "porque sim". Quem assim não entender pouco entende a história. Vichinsky, na foto, é, por exemplo, um personagem da História, que acarreta diferentes leituras. Todas são útéis ao historiador, embora nenhuma mais verdadeira que outra.

publicado por carlosfreitas às 18:56

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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