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Nov 08

 

 

Quanto à manifestação de hoje, dos professores, nela está apenas subjacente o interesse particular de uma classe profissional. A questão torna-se ainda mais injusta quanto pensamos noutros trabalhadores ao serviço do Estado. E? Um e de mudo espanto sobre o silêncio que a mesma questão levanta junto de outros sectores do Estado. Se em termos económicos uma manifestação ou uma futura greve de professores não afectará ninguém, muito menos os alunos, quando comparada com a recente manifestação promovida por associações de donos de empresas de camionagem. Andaria por aí muito boa gente, a pé, de garrafão de plástico na mão, a mendigar umas gotinhas de combustível, se faz favor. A gritar contra o direito de uns quantos em condicionar a vida de milhões. E os nossos filhos sem acesso aos bens alimentares de primeira necessidade? E os trabalhadores, camionistas-condutores, que escândalo a defenderem os interesses dos patrões. Facto que, não deixando de ser verdade, não retira mérito nenhum à capacidade de mobilização desses empresários ou patrões, como vos convenha. A imensa gritaria que não se observaria por aí a condicionar esse direito. Veríamos de novo a famigerada ponte do "cavaqusitão", embora noutros moldes. Imagine-se o que seria se os próprios camionistas viessem defender, nos mesmos moldes, as suas muito justas reivindicações sobre horários que os impedem de ter vida para além do trabalho, por exemplo. Se assim fosse teríamos evoluído social e mentalmente. Ora esta manifestação dos professores (por muito numerosa que posso vir a ser) é corporativista e afectará apenas um pouco mais a já de si muito débil imagem pública do actual executivo e a dos políticos. Dos que estão no poder e dos outros que sobrevivem das migalhas que a Democracia lhes proporciona. Essa de tão afectada, já nada mais a afecta, a não ser daqui a um ano. A ver vamos, se assim será. Embora tenhas as minhas dúvidas.Uns e outros são culpados. Uns porque durante anos foram habilmente manipulados pelas estruturas sindicais, e viveram na doce  modorra de uma profissão com alguma qualidade de vida, outros pela mais pura teimosia em manterem um regime de avaliação burocratizado e sem nexo aparente. Por muito justo que seja o direito de manifestação, o controle das reivindicações feito através organizações incrustadas no interior dos partidos acaba por esvaziar o seu conteúdo durante o processo negocial. Foi assim à alguns meses atrás. Por isso não deixo de relevar esse facto. O voluntarismo de uns milhares foi ofuscado, nas negociações, por uns quantos. Ou seja, os professores, de engano em engano, dirigem-se para a derrota final. Já assim foi noutras ocasiões.

A foto foi entrevista aqui.

publicado por carlosfreitas às 13:13

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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