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Out 08

 

 

                            

Caro Diário:

 

Descobri que até para se fazerem umas reles obras em casa é necessária uma enorme dose de paciência, complementada por outra de feroz teimosia, para conseguir que um pequeno empreiteiro cumpra a tarefa acordada entre as partes e consentânea com o que se lhe paga. Como tu sabes habitualmente tudo é habitual no país onde nos encontramos. Desde políticos que se deixam corromper, obras públicas cujos prazos se dilatam no tempo com a consequente derrapagem, obras ditas de regime que começam a a cair antes que o regime caia. Autarcas permanentemente à porta dos tribunais, tribunais no salão dos bombeiros lá da terrinha, etc. e tal. Um rol, imenso. Assuntos tão habituais que se tornam naturais. Até a um pequeno empreiteiro da construção civil são ensinadas as nuances do negócio. Sem elas(as regras do negócio)seria impossível ser o que é. Poderia ser outra coisa mas pequeno empresário da construção civil é que não. Ele tem outros acima dele que lhe fazem o mesmo. É assim, neste país é assim. Se não pode ser hoje fica para amanhã, amanhã não pode ser porque a minha sogra está hospitalizada e os meus empregados encontram-se todos em parte incerta. Ele sabe onde estão, mas tenta fazer bem de conta. E eu pobre de mim com a sogra no hospital. Veja lá!  Afirmava o pobre homem. A fazer-se passar por tal.

A acrescentar a tudo isto um administrador de condomínio (que passámos a designar como condomineiro, designação que foi um achado da Ana, que explicou a sua derivação a partir de pantomineiro, que, na realidade, penso que seja uma ofensa ao dito, mas enfim, prefiro um pantomineiro) que é um verdadeiro achado nos dias de hoje (ou nem tanto). Abelhudo, prepotente e troca-tintas. Bem fiquemos por aqui. Daí querido diário a termos que meter mãos à obra e mete-los todos ao barulho foi um passo. O único que sobrava depois de esgotado o diálogo e a paciência. Um passo que deu como resultado terem feito as obras que foi um instante. Num abrir e fechar de olhos. Ficou tudo pintadinho e a brilhar como competia ao corredor da nossa casa. Teve que ser. E como dizia a avó Marquinhas o que tem de ser tem muita força. Tudo isto porque no andar de cima os canos resolveram extemporaneamente começar a deitar água por todos os orifícios que conseguiram arranjar inundando a nossa casinha. Coisa pouca. Parece-vos. Experimentem. A nós, cá em casa, deu uma trabalheira. Coisa pouca. Hum.

publicado por carlosfreitas às 17:46

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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