12
Set 08

 

 

Sou pouco poeta num país de poetas, como antes se dizia. Antes os verdadeiros, que tentar escrever para além desta alma que é a minha, que não se solta em palavras sentidas. Não é que não as possua  (às palavras soltas e sentidas), mas não sou poeta. Sou amador, teu e de poetas com Poesia, dentro de si. Que me comove nos vários sentidos da comoção que vai do amor à ira. Soubesse eu escrever palavras, com sentido, escrever-te-ia o que Eufrázio Filipe nos escreve assim:

 

 Olho-te como se fosse a primeira vez
Na verdade a água
corpo líquido de mulher
tem segredos escondidos no fundo das pedras
alimentos de fogo
talvez uma praia onde se fundem
areias e lábios
um piano de luzes
que determina o tempo das estações

Ainda bem que tens ilhas selvagens
sinais apócrificos que se desnudam
em gestos simples
no pestanejar de uma vírgula

Na verdade a água sabe rir e chorar
no espelho das próprias lágrimas
no rumor das maresias
e eu descobri uma vez mais
que tens póros por onde respiras
silêncios escarpas por onde escorrem salivas
que te ergues e desmoronas
abrigo e mensageira
te desprendes do chão
ou hibernas nos corais

Que bom ainda hoje
partilhar contigo este despertar
aprender vida fora a descobrir-te
como se fosse a primeira vez
deixar por um instante
a outra água
para os peixes se moverem

 

 

 

publicado por carlosfreitas às 17:29

É tão bom "sentir" que me sentes assim, assim como sou. Não tenho ilhas, ou melhor talvez as tenha, mas acho que já as conheces todas, a ilha do amor, a ilha do terror, a ilha da loucura, a ilha da raiva, a ilha de ser tua, a ilha da brincadeira. Sim sou um arquipélago em forma de mulher, mas sou uma mulher que te ama, como se fosses eu, como se os dois estivessem unidos num só ser. Sabes? Eu sinto-me muito só sem ti, sabes? eu sinto muito a tua falta nem que seja só por umas horas, sabes? eu sinto a falta do teu corpo na cama mesmo sem estar encostado a mim eu sinto-o, e levemente toco-te para te sentir. Isso só pode ser amor, amor sincero. Ás vezes fico triste e com raiva de ti, quando me falas mal, quando o teu riso se torna cinico, quando me corriges eu não gosto, mas no fundo aceito e fico contente porque fiquei mais sábia e não estou a brincar quando digo isto, é de verdade mesmo. Eu amo-te muito Carlos Manuel.
Tua mulher
Ana
Ana a 12 de Setembro de 2008 às 22:33

O caminho e o carinho meu Amor fazem-se caminhando. Estas palavras são carícias , as tuas carícias são palavras e gestos que aprendo a descodificar. Amo-te MULHER que por ti te fazes minha.
Teu Marido
carlosfreitas a 13 de Setembro de 2008 às 00:47

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