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Ago 08

 

A praia da infância e inicio da adolescência foi a pequeníssima (hoje, nesse tempo era enorme) praia da Parede, que podem descobrir AQUI. A praia da N. Srª da Conceição também. Ali, bem junto a Cascais, onde conquistei as minhas primeiras barbatanas, das que se utilizam nos pés para assim conseguir chegar mais fundo e mais longe no azul do mar,  serviam igualmente para mais facilmente evitar as dolorosas picadas do peixe-aranha, eram azuis, como o era então a baia de Cascais. Hoje já não sei se o é. Tenho as minhas dúvidas. Foi o meu sonho de menino conquistado à força de cedo me levantar e ir carregar e montar toldos e barracas, que depois se recolhiam ao fim do dia. Foi assim que ganhei as minhas primeiras barbatanas. Desde que me conheço que vivi perto do mar. Até que um dia aportei a Coimbra e ao  "basófias", mas não era  a mesma coisa. E não foi. Por motivos que não interessam a Figueira da Foz é hoje, não a minha praia, porque me recuso determinantemente a ir à praia, mas o meu local de vida quotidiana, de trabalho. Aprendi a Figueira ao longo dos últimos vinte anos como poucos "coimbrinhas". Apesar de serem estes que mais gostam dela, embora os autóctones pouco gostem deles. São assim os amores. Pouco ou nada retribuídos. Mas a declinar Agosto, mês por excelência da colónia balnear, recordo a única pérola deste Verão/Agosto figueirense. Como pérola que é está devidamente escondida. Nos fundos do Museu Municipal Santos Rocha. Ali está o Outro Verão. Não o verão que perpassa na nostalgia dos figueirenses. Mas o verdadeiro Verão da Figueira. Não  apenas o Verão de outrora. Mas essa outra Figueira, entretanto desaparecida. Não, essa já se foi e não volta. Nunca mais. Maria Teresa Machado, actual vereadora da cultura, refere que, e passo a citar, " não se pretende inflamar um sentimento saudosista dum passado patrimonial e social que, em parte, mercê do curso normal dos tempos, deixou de existir ou se desconfigurou". Se não soubesse, aplaudia. Mas não.  A desconfiguração não se deve ao curso normal dos tempos, porque o tempo não possui em si tempos normais ou anormais. São os homens que desenham os tempos. E esses pelos vistos não souberam ou não sabiam preservar. E o problema da Figueira da Foz é que não sabe preservar e divulgar. A instalação desta fabulosa exposição encontra-se escondida. Mas este é o Verão que os visitantes figueirenses deviam ir ver. Enxergar. Fica mais barato que entrar nesse mundo já fenecido visualizado no Portugal dos Pequeninos, onde me disseram que um adulto paga 9 euros para entrar. Pense-se nos inúmeros adultos que desejam mostrar às suas crianças esse Portugal  saído do imaginário de António Ferro e Oliveira Salazar. Imaginado, porque não existiu, o outro saímos tarde dele muito por culpa de Sua Excelência e a folha azul de vinte e cinco linhas. Soçobrou aos ventos da História. Mas ali nos fundos da Figueira podemos extasiar-nos com velhos postais e imagens que recriam a veraneante Figueira de outrora. Saciar os olhos e a vontade de conhecer o que desapareceu. Muitas daquelas memórias mereciam enxergar melhor a Claridade da praia que lhes deu vida. Mas enfim, estão lá para os poucos incautos que desejem descer aos fundos do Museu  Santos Rocha. Passar por lá, acredite-se, faz bem à alma.

publicado por carlosfreitas às 22:14

Eu jovem "combrinha" pobre e mal habituado a coisas "boas" nao vejo esse museu mas vivo a minha figueira de sempre com a sua bela água de bater o dente e o marvilhoso vento a levantar areia, se assim nao fosse nao era figueira, se assim nao fosse gelada nao dava prazer. A piada e sair da agua a tremer e passar frio naquele vento maravilhoso. Assim é e sempre será a "Bela" da minha figueira, onde aprendi a nadar e a crescer, a saborar e a viver o tao delicoso e unico mar da figueira. >Museus ? e essas coisas e para quem nao sabe dar valor ou nao conhece a figueira mesmo tendo 20 anos de desconhecimento. Estarei errado ?
Diogo a 3 de Setembro de 2008 às 07:12

A primeira vez bates-te o dente mas não desistis-te. Tu e o mar e o mar e tu foi difícil de gerir a relação. As mãos chegavam a ficar tão encarquilhadas que metia dó.
carlosfreitas a 3 de Setembro de 2008 às 18:23

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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